Tema do dia: Cinema.
Olá, você que acompanha ou acompanhou meu blog, e jurou que ele havia morrido. Ele não morreu, felizmente, ele apenas estava dormindo, e agora, após uma breve mijada matinal, ele retorna à ativa falando da sétima arte, o cinema.
Mas caro leitor, não se engane. Não falarei sobre Casablanca, Audrey Hepburn, Kubrick, ou qualquer outro ícone cabeça que você pode pensar ao ler o título do blog. Eu atacarei em um front pouco comentado: Os filmes de macho.
Você, mais sensível, e visivelmente abalada com a temática do post, pode estar se recordando agora de filmes exibidos na Sessão da Tarde, estrelados por Jean Claudde Van-Damme (mais sobre ele no porvir), ou talvez alguma sessão noturna de uma excelente película de Steven Seagal. E por lembrar disso, você está tendo uma visão superficial da coisa, parafraseando Mathias, o "zero-seis".
O cinema de macho surgiu da necessidade de homens putos da vida verem explosões, mortes, porradarias, sanguinolência, enfim, testosterona em película. Não fingirei saber o ponto de partida desse gênero, mas eu posso pontuar os momentos decisivos de sua trajetória. Eu começaria citando o clássico dos clássicos, a excelente franquia criada por Sylvester "Sly" Stallone em 1976, com a história de Rocky Balboa, o boxeador azarão que conquista o título mundial. Rocky é um pilar para o cinema másculo, e gerou 3 sequências de peso durante os anos 70 e 80, mas, ao chegar em seu quinto capítulo, fraquejou. Paralelamente aos Rockys, Sly trouxe ao mundo John Rambo, com a trilogia Rambo I, II e III. Pela mesma época, Arnold Schwartznegger surgia com Conan, o Bárbaro, Terminator 1 e Terminator 2. Que era de ouro. As bilheterias eram gigantescas, o gênero só trazia pérolas, tudo era bom, e a boiolagem vivia fora dos cinemas.
Os anos 90 viram tanto a renovação quanto a decadência da fórmula. De um lado, Robert Rodriguez e Quentin Tarantino renovavam continuamente o gênero com personagens cada vez mais trabalhados e menos musculosos, mas igualmente sanguinários. Um Drink no Inferno, Pulp Fiction, Cães de Aluguel e Desperado exemplificam bem os títulos excelentes da primeira metade da década. Mas algo estava errado. Sly e Schwartznegger estavam envolvidos em filmes medíocres (Cliffhanger e Júnior, por exemplo), e o mundo via o nascimento de um dos maiores enganadores da história, o já citado Jean Claude Van-Damme.
Eu tenho uma teoria, meu caro leitor, e você é livre para discordar dela. Em minha opinião, Van-Damme é um viado metido a macho, que corroeu o cinema hétero de dentro para fora, com filmes cada vez mais estereotipados e medíocres, em uma legítima conspiração para tirar de cena esse gênero tão amado e viril. Com a saída de Terminators do cinema, mais espaço para comédias românticas ou Brokeback Mountains da vida (mais sobre comédias românticas em futuros posts). Seja essa conspiração verdade ou não, o fato é que, em bom e claro português, o esquema fudeu no decorrer da década. A segunda metade dos anos 90 não trouxe absolutamente nada de relevante ao genero, os heróis do passado causavam náuseas (Sly aparecendo em Pequenos Espiões 3D e Schwartznegger fazendo Um Herói de Brinquedo), e a nova geração era motivo de piada, como, por exemplo, Vin Diesel e seu medíocre Triplo X.


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